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Dezembro Laranja: prevenção e sinais do câncer de pele

Felipe Camargo Felipe Camargo 5 de outubro de 2026 5 min de leitura Qualidade
Ilustração de família protegida do sol com roupas, chapéus e sombra

Dezembro Laranja é a campanha de conscientização sobre o câncer de pele. Ela incentiva a proteção contra a radiação solar e a avaliação de alterações suspeitas, com orientações que devem continuar durante todo o ano.

Para clínicas e hospitais, a campanha oferece uma pauta prática de educação. No calendário da saúde, o laranja de dezembro se refere à pele; o vermelho do mesmo mês aborda HIV, aids e outras ISTs. Identificar o tema por extenso evita confusão.

O que é o Dezembro Laranja?

É uma mobilização promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia para ampliar a informação sobre prevenção e diagnóstico do câncer de pele. A proximidade do verão ajuda a chamar atenção para a exposição ao sol, mas o risco não se limita à praia ou à piscina.

Trabalho ao ar livre, deslocamentos e atividades cotidianas também podem aumentar a exposição acumulada. A mensagem precisa incluir pessoas de diferentes tons de pele e rotinas, sem sugerir que apenas quem se bronzeia precisa de cuidado.

Quais são os principais tipos de câncer de pele?

Os principais grupos são o câncer de pele não melanoma e o melanoma. Eles apresentam características e comportamentos diferentes, e uma alteração não pode ser classificada com segurança apenas por uma fotografia ou comparação na internet.

O carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular integram o grupo não melanoma. O melanoma é menos frequente, mas pode ser agressivo. A investigação profissional define a necessidade de dermatoscopia, biópsia ou outros procedimentos.

A exposição solar excessiva é um importante fator de risco. O INCA destaca a vulnerabilidade da infância e o efeito cumulativo da radiação ao longo da vida. Por isso, proteção consistente importa mais do que uma ação isolada em dezembro.

Leia mais: A importância da medicina preventiva.

Como se proteger do sol no dia a dia?

Combine sombra, roupas, acessórios e protetor solar. Nenhuma medida isolada elimina todo o risco, e o filtro não deve ser usado para prolongar deliberadamente a permanência ao sol.

  • Reduza a exposição direta nos horários de maior intensidade solar.

  • Procure sombra e use chapéu de abas largas e roupas que cubram a pele.

  • Use óculos com proteção contra radiação ultravioleta.

  • Escolha protetor com proteção UVA e UVB adequado à sua pele.

  • Reaplique conforme orientação e após água, suor ou remoção do produto.

O material educativo da SBD-PR recomenda FPS 30 ou maior e reaplicação a cada duas horas durante exposição direta, além de nova aplicação após sair da água. Crianças pequenas e pessoas com necessidades específicas devem receber orientação individualizada.

Em dias nublados ainda pode haver exposição à radiação ultravioleta. Para quem trabalha ao ar livre, a conversa deve incluir condições de trabalho, sombra, vestimenta e organização das atividades, não apenas compra de protetor.

Chapéu, roupas e protetor solar representam medidas combinadas de proteção

Quais sinais na pele merecem avaliação?

Procure avaliação diante de uma pinta que muda, uma lesão que sangra, uma ferida persistente ou uma mancha diferente das demais. Não espere dezembro nem tente remover a alteração em casa.

A regra ABCDE pode ajudar a observar pintas, mas não confirma nem exclui câncer:

  • A, assimetria: partes da lesão com formas diferentes.

  • B, bordas: contornos irregulares.

  • C, cor: variação de tonalidades na mesma lesão.

  • D, diâmetro: tamanho que chama atenção, sem usar uma medida como garantia de segurança.

  • E, evolução: mudança de tamanho, forma, cor ou sintomas.

Nem todo câncer de pele segue esse padrão, e lesões pequenas também precisam de avaliação quando suspeitas. Fotografias podem auxiliar o acompanhamento orientado pelo profissional, mas não substituem o exame clínico.

Quem precisa de atenção especial?

Pessoas com histórico pessoal ou familiar de câncer de pele, muitas pintas, exposição solar intensa ou imunossupressão podem necessitar de acompanhamento específico. A periodicidade deve ser definida conforme o risco individual.

Pele clara aumenta a vulnerabilidade a danos solares, mas pessoas de pele negra também podem desenvolver câncer de pele. Não exclua nenhum grupo da orientação e evite tratar a ausência de queimadura como prova de proteção.

Não há uma frequência universal de consulta que sirva a todos os pacientes. O atendimento deve considerar as alterações encontradas e a história de cada pessoa.

Profissional examina uma alteração na pele com dermatoscópio

Como fazer uma ação educativa na clínica?

Mostre medidas aplicáveis à rotina e explique como acessar avaliação quando houver alterações. Materiais com fotos de lesões precisam de contexto para não estimular autodiagnóstico nem gerar falsa tranquilidade.

Na sala de espera, uma atividade pode demonstrar a combinação de proteção física e filtro solar. Nos canais digitais, responda dúvidas frequentes e deixe claro que a caixa de comentários não é um consultório.

A equipe deve organizar o encaminhamento e o registro da avaliação no prontuário eletrônico. Imagens clínicas exigem cuidados de privacidade, finalidade e acesso; não devem ser reutilizadas como publicidade automaticamente.

Como manter a prevenção além de dezembro?

Inclua proteção solar nas orientações de rotina e acompanhe os retornos indicados. Uma campanha bem organizada conecta informação, avaliação e seguimento, sem prometer que uma consulta ou um produto elimina todo o risco.

Use as dúvidas recebidas para melhorar a comunicação da clínica. O resultado esperado é que o paciente compreenda como se proteger e quando buscar atendimento, durante o verão e nas demais estações.

Felipe Camargo
Sobre o autor
Felipe Camargo
Consultor em gestão hospitalar e saúde digital do Sistema Colmeia

Sou consultor em gestão hospitalar e saúde digital no Colmeia, com experiência em processos assistenciais, administrativos e financeiros de instituições de saúde. Atuo na análise de fluxos hospitalares, implantação de sistemas de gestão, prontuário eletrônico e melhoria da eficiência em clínicas e hospitais.

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