Escolher uma plataforma de teleconsulta para uma clínica ou consultório exige olhar além da qualidade da videochamada. A solução passa a fazer parte do atendimento e precisa lidar com informações clínicas, prontuário, prescrições, agenda, documentos e dados pessoais sensíveis dos pacientes.
Por isso, a melhor plataforma não é necessariamente aquela que oferece mais funcionalidades. É aquela que se encaixa no porte da clínica, no número de profissionais, no fluxo assistencial e nos sistemas que já fazem parte da operação.
Neste comparativo, analisamos algumas das principais opções disponíveis no Brasil para profissionais e instituições de saúde. A avaliação considera recursos divulgados oficialmente pelos fornecedores, modelo de contratação, integração com a rotina clínica e pontos que merecem atenção antes da assinatura.
Quais são as melhores plataformas de teleconsulta do mercado?
Entre as opções avaliadas, iClinic, Amplimed, Feegow e Doctoralia Pro se destacam para consultórios e clínicas que querem incorporar a teleconsulta à rotina de atendimento. Para operações maiores, empresas e instituições que precisam estruturar jornadas de saúde digital em escala, a Conexa atende a um perfil diferente.
Não existe, porém, uma plataforma que seja a melhor para todas as clínicas.
Plataforma | Indicada principalmente para | Destaque |
|---|---|---|
iClinic | Consultórios e clínicas pequenas | Preço público e teleconsulta integrada ao sistema |
Amplimed | Clínicas que querem centralizar gestão e atendimento | Integração entre telemedicina, prontuário, agenda e recursos de IA |
Feegow | Clínicas com operação mais estruturada e vários profissionais | Telemedicina integrada ao prontuário e certificação S-RES divulgada pela empresa |
Doctoralia Pro | Clínicas que também priorizam aquisição e relacionamento com pacientes | Integração entre presença digital, agenda, gestão e teleconsulta |
Conexa | Grandes instituições, empresas e operações de saúde digital | Escala e estrutura para jornadas de cuidado corporativas e institucionais |
A classificação acima não representa um ranking absoluto. Ela indica qual perfil tende a encontrar maior aderência em cada solução, considerando as funcionalidades e o posicionamento apresentados oficialmente pelos fornecedores em agosto de 2026.
Melhores plataformas de teleconsulta para clínicas e consultórios
iClinic
O iClinic é um software médico voltado a clínicas e consultórios que reúne agenda, cadastro de pacientes, prontuário eletrônico, prescrição e recursos administrativos.
Na teleconsulta, o profissional consegue manter o prontuário acessível durante o atendimento e compartilhar a tela com o paciente. A empresa também informa que as consultas podem ser gravadas e associadas ao prontuário.
Um diferencial importante para quem está comparando custos é a existência de preços públicos.
Em agosto de 2026, os valores divulgados eram de R$99 por profissional/mês no Starter, R$129 no Plus, R$169 no Pro e R$299 no Premium. A teleconsulta ilimitada aparecia como recurso do plano Premium.
Pontos fortes
preço facilmente consultável;
prontuário integrado ao atendimento;
prescrição eletrônica;
agenda e agendamento online;
recursos financeiros e administrativos nos planos superiores;
teleconsultas ilimitadas no plano Premium.
Ponto de atenção
Quem está contratando especificamente por causa da teleconsulta precisa comparar o plano correto. O preço inicial de R$99 não corresponde ao plano que inclui teleconsultas ilimitadas; segundo a página comercial consultada, esse recurso faz parte do Premium, de R$299 mensais por profissional.
Por cobrar por profissional, também vale calcular o custo total quando vários médicos utilizarão a plataforma.
Perfil em que faz mais sentido: consultórios e clínicas de menor ou médio porte que valorizam uma estrutura integrada e querem conhecer o custo do software antes de entrar em contato com o setor comercial.
Amplimed
A Amplimed segue uma abordagem de centralização. A plataforma reúne agenda, prontuário eletrônico, gestão e telemedicina no mesmo ecossistema.
Durante a consulta remota, vídeo e prontuário podem permanecer disponíveis na mesma tela. A plataforma também oferece envio de links ao paciente, prescrição digital, documentos, chat e automações de comunicação.
Outro ponto que diferencia a solução atualmente é o uso de inteligência artificial. A empresa apresenta recursos de transcrição da consulta e geração de registros estruturados para o prontuário, além de ferramentas para consultar informações existentes no histórico do paciente.
O plano da Amplimed é divulgado a partir de R$89 mensais por profissional, mas há uma informação importante: a própria empresa lista a telemedicina entre os módulos que podem influenciar o preço final contratado.
Pontos fortes
teleconsulta integrada ao prontuário;
agendamento e comunicação com pacientes;
prescrição digital;
gestão financeira;
recursos de inteligência artificial;
possibilidade de centralizar várias etapas da jornada do paciente.
Ponto de atenção
Não é correto interpretar os R$89 como o preço final de uma operação com telemedicina. Como o recurso pode fazer parte de módulos adicionais, a clínica precisa solicitar a composição da proposta e verificar quais funcionalidades estarão efetivamente incluídas.
Perfil em que faz mais sentido: clínicas que querem centralizar atendimento, gestão e comunicação e que veem valor em recursos adicionais de automação e inteligência artificial.
Feegow
A Feegow possui uma estrutura bastante voltada à operação clínica.
A solução de telemedicina funciona pelo navegador, sem necessidade de instalar um programa específico, e é integrada à agenda, ao prontuário eletrônico, à prescrição e ao pagamento online.
A empresa informa ainda que seu sistema possui certificação da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde, a SBIS, como Sistema de Registro Eletrônico de Saúde, S-RES, na categoria Telessaúde e modalidade.
Na configuração do atendimento remoto, a clínica pode trabalhar com termo de consentimento, formulário de pré-atendimento e regras para determinar quando o paciente poderá acessar a sala virtual.
Durante a consulta, o profissional acessa o prontuário enquanto mantém comunicação por áudio e vídeo com o paciente.
Pontos fortes
teleconsulta dentro do fluxo de atendimento;
integração com prontuário;
prescrição incorporada;
agenda integrada;
possibilidade de configurar consentimento e pré-atendimento;
certificação S-RES divulgada pelo fornecedor;
recursos adequados para operações com vários profissionais.
Ponto de atenção
A própria documentação da Feegow trata a telemedicina como um módulo adicional que precisa estar contratado. Portanto, antes de comparar custos, é necessário verificar a proposta comercial e quais serviços fazem parte do pacote da clínica.
Perfil em que faz mais sentido: clínicas com processos mais estruturados, múltiplos profissionais e necessidade de integrar a teleconsulta ao restante da operação assistencial.
Doctoralia Pro
A Doctoralia ocupa uma posição diferente porque combina ferramentas de gestão com uma plataforma já conhecida pela busca e pelo agendamento de profissionais de saúde.
Para clínicas, o Doctoralia Pro oferece agenda, prontuário eletrônico, pagamentos, prescrições eletrônicas, lembretes, teleconsulta e recursos voltados à captação e ao relacionamento com pacientes.
Isso significa que a proposta não está limitada a realizar videochamadas. A clínica pode usar o mesmo ecossistema para trabalhar presença digital, agendamento online e atendimento.
Na área de segurança, a Doctoralia declara conformidade com a LGPD e informa possuir certificação ISO/IEC 27001.
Pontos fortes
teleconsulta;
agendamento online;
prontuário eletrônico;
pagamentos online;
prescrição eletrônica;
ferramentas para presença e aquisição de pacientes;
recursos de relacionamento e lembretes.
Pontos de atenção
Para clínicas, o preço principal é disponibilizado mediante proposta comercial. A página consultada também informa contrato com duração de 12 meses
Por isso, quem está escolhendo uma ferramenta exclusivamente para teleconsulta deve avaliar quanto valor atribui aos recursos de marketing, reputação e captação que fazem parte da proposta mais ampla da Doctoralia.
Perfil em que faz mais sentido: clínicas que querem unir gestão da jornada digital à estratégia de captação e agendamento de pacientes.
Conexa
A Conexa precisa ser analisada separadamente das anteriores.
Embora também trabalhe com teleconsulta, seu posicionamento atende operações de maior escala, como empresas, parceiros de saúde, operadoras e instituições.
A empresa informa possuir mais de 35 milhões de vidas conectadas e mais de 2 mil empresas clientes. Para o mercado corporativo, oferece teleconsultas, pronto atendimento digital, especialidades médicas, saúde mental, coordenação do cuidado e inteligência de dados.
A Conexa também apresenta soluções nas quais instituições utilizam a plataforma para estruturar atendimento digital e jornadas de saúde em escala.
Pontos fortes
capacidade para grandes populações;
ampla estrutura de saúde digital;
pronto atendimento e especialidades;
gestão e coordenação de jornadas de cuidado;
atuação voltada também a empresas e instituições.
Ponto de atenção
A proposta é diferente de contratar um software tradicional por médico para um pequeno consultório.
Uma clínica com dois ou três profissionais que deseja principalmente agenda, prontuário e sala de teleconsulta provavelmente deve comparar primeiro soluções desenhadas especificamente para esse perfil.
Perfil em que faz mais sentido: empresas, operadoras, instituições e operações de saúde que precisam oferecer cuidado digital em maior escala.
Como escolher uma plataforma de teleconsulta segura?
Segurança não deve ser avaliada apenas pela presença de um selo ou pela afirmação de que “os dados são criptografados”.
Uma plataforma de teleconsulta processa informações relacionadas à saúde, que são classificadas pela LGPD, como dados pessoais sensíveis. Além disso, a Resolução CFM nº 2.314/2022 estabelece requisitos específicos para o exercício da telemedicina.
O Conselho Federal de Medicina determina, entre outros pontos, que os dados do atendimento sejam registrados em prontuário e que sistemas eletrônicos observem requisitos relacionados à interoperabilidade, confidencialidade, privacidade e integridade das informações.
O consentimento do paciente para o atendimento por telemedicina também faz parte das exigências previstas pelo CFM.
Na prática, antes de contratar, a clínica deve pedir ao fornecedor informações concretas sobre:
controle de acesso e permissões;
autenticação dos usuários;
armazenamento das informações;
backups;
histórico e rastreabilidade dos acessos;
tratamento dos dados conforme a LGPD;
exportação e portabilidade dos registros;
procedimentos adotados em incidentes de segurança.
A Lei nº 14.510/2022 também passou a disciplinar a prática da telessaúde em todo o território nacional, dando à modalidade uma base legal permanente após o período emergencial da pandemia.
A teleconsulta deve estar integrada ao prontuário
Uma chamada de vídeo isolada não resolve o problema de uma clínica. Durante o atendimento, o médico precisa consultar o histórico do paciente, registrar a anamnese e a evolução, analisar informações anteriores e documentar a conduta adotada. É por isso que a integração com o prontuário merece peso elevado na comparação.
O próprio CFM determina que informações relacionadas ao atendimento por telemedicina sejam registradas e preservadas no prontuário do paciente. Na avaliação prática, vale testar se o profissional consegue manter a consulta e o prontuário disponíveis simultaneamente sem precisar alternar continuamente entre ferramentas diferentes.
Também é importante verificar como receitas, atestados, solicitações de exames e demais documentos gerados durante o atendimento ficam associados ao histórico clínico.
Avalie toda a jornada do paciente, não apenas a videochamada
Para a equipe, uma teleconsulta começa muito antes de o médico ligar a câmera.
Considere o fluxo completo:
agendamento → confirmação → envio do acesso → entrada do paciente → atendimento → prontuário → prescrição ou documento → pagamento → retorno.
Se várias etapas dependem de processos manuais ou ferramentas externas, parte da produtividade esperada com a teleconsulta pode desaparecer.
Faça um teste simulando uma consulta verdadeira.
Peça para uma pessoa da equipe assumir o papel do paciente e realizar todo o processo pelo celular. Enquanto isso, outro profissional executa o fluxo pelo lado da clínica.
Esse tipo de teste costuma revelar problemas que uma demonstração comercial isolada não mostra: excesso de etapas, links difíceis de encontrar, dificuldades de acesso e retrabalho da recepção.
O que analisar no preço de uma plataforma de teleconsulta?
Comparar apenas a mensalidade pode levar a uma decisão ruim. Alguns fornecedores cobram por profissional. Outros trabalham com módulos adicionais ou propostas personalizadas.
Antes de assinar, descubra o custo total da configuração que sua clínica realmente utilizará.
Verifique se haverá cobrança separada por:
profissional adicional;
módulo de teleconsulta;
assinatura digital;
mensagens por WhatsApp ou SMS;
armazenamento;
inteligência artificial;
implantação;
treinamento;
integração com outros sistemas;
migração de dados;
suporte diferenciado.
No iClinic, por exemplo, a teleconsulta ilimitada aparece no plano Premium de R$ 299 por profissional/mês, embora existam planos mais baratos.
Na Amplimed, os planos começam em R$ 89 por profissional, mas a telemedicina aparece entre os módulos que podem alterar o valor final.
Esses dois exemplos mostram por que “preço inicial” e “preço para operar tele consultas” nem sempre significam a mesma coisa.
Quais erros evitar ao contratar uma plataforma de teleconsulta?
Um dos erros mais comuns é escolher pelo número de funcionalidades. Uma lista extensa de recursos não significa necessariamente que o sistema funciona melhor para a sua clínica.
Outro erro é avaliar somente o vídeo. A teleconsulta faz parte de um processo assistencial, portanto prontuário, documentação, consentimento, segurança e continuidade do cuidado precisam ser analisados conjuntamente.
Também não é recomendável assinar um contrato antes de esclarecer como funciona a portabilidade dos dados. A clínica deve saber como recuperar as informações armazenadas caso futuramente decida trocar de fornecedor.
Por fim, não avalie uma plataforma apenas durante uma apresentação conduzida pelo vendedor. Sempre que possível, realize um teste com a rotina real de sua equipe.
Qual plataforma de teleconsulta escolher para sua clínica?
A escolha depende principalmente do perfil da operação.
Para um profissional autônomo ou clínica pequena que valoriza preço público e uma solução integrada, o iClinic merece entrar na comparação.
Para clínicas que procuram centralizar prontuário, gestão, telemedicina e automações, incluindo recursos atuais de inteligência artificial, a Amplimed apresenta uma proposta bastante ampla.
Para operações com vários profissionais e maior preocupação com estrutura assistencial e integração dos fluxos, o Feegow merece atenção, especialmente pela estrutura de telemedicina integrada e pela certificação S-RES divulgada pelo fornecedor.
Quando a estratégia envolve também aquisição de pacientes, presença digital e agendamento, a Doctoralia Pro passa a ter uma proposta diferente das plataformas que atuam principalmente como software médico.
Já instituições, empresas e operações de saúde de grande escala devem analisar soluções como a Conexa em outra categoria, porque o modelo deixa de ser apenas um sistema para realizar consultas e passa a envolver jornadas completas de saúde digital.